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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Alô, alô, Teresinha! Entra hoje em cartaz 'Chacrinha, o musical'

Nos anos 1970, o filósofo francês Edgar Morin visitava o Brasil quando assistiu ao programa de TV de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Com o dom do improviso e senhor de uma alegria circense, o apresentador impressionou o intelectual estrangeiro, que elegeu o anárquico animador de plateias um fenômeno da comunicação em massa. "Agora quero ver o que vão dizer os críticos brasileiros, que me chamam de débil mental", desabafou, na época, o animador, frase hoje repetida por Stepan Nercessian, em um momento crucial de Chacrinha - O Musical, espetáculo sobre a carreira do Velho Guerreiro que estreia no Teatro João Caetano, no Rio, nesta sexta-feira, 14.
"Charles Chaplin subdesenvolvido", na observação de Nelson Rodrigues, Chacrinha (1917-1988) revolucionou a TV brasileira ao comandar extravagantes concursos de calouros, revelar grandes nomes da música brasileira e inventar bordões tanto originais como infames. Fora de cena, porém, revelava-se um homem bipolar, meticuloso com o trabalho mas impaciente com a mulher e os filhos, disparando palavrões e criando quadros geniais para o Cassino do Chacrinha. "Não deixou herdeiros, apenas seguidores", constata o jornalista Pedro Bial, autor do roteiro do musical ao lado de Rodrigo Nogueira.
Estreante como diretor de teatro, o cineasta Andrucha Waddington brinca ao definir Chacrinha - O Musical como um espetáculo formado por dois longos planos-sequência: o primeiro e o segundo atos. Na verdade, a divisão mostra a mudança radical na vida de José Abelardo Barbosa de Medeiros, o pernambucano que não concluiu o curso de medicina para se tornar locutor na Rádio Tupi do Rio, em 1939, até se consagrar como Chacrinha, grande comunicador que logo chegou à TV, fantasiado, com uma buzina estridente pendurada no pescoço e sempre disposto a jogar, sem cerimônia, objetos no auditório, de bacalhau a farinha.
"Ele foi o primeiro palhaço da TV brasileira, o artista que arrancou a gravata e passou a tratar o espectador sem nenhuma cerimônia", comenta Pedro Bial, autor do roteiro do musical, escrito em parceria com Rodrigo Nogueira. "Fazemos um tributo à imaginação ao mostrar como foi inconsciente o processo de transformação de Abelardo em Chacrinha."
Com um orçamento de R$ 12 milhões, a montagem, assinada pela Aventura Entretenimento, maior produtora de musicais do País, conta com dois atores para o papel principal: Leo Bahia, jovem notável que despontou com uma versão descompromissada de The Book of Mormon, vive o jovem Abelardo Barbosa. Assim, no primeiro ato, é narrada sua infância e juventude até a descoberta do talento para comandar programas de rádio. Até esse momento, a cenografia de Gringo Cardia aposta no tom ocre da terra e no preto e branco das xilogravuras que compõem o cenário.
"Quem o conheceu, dizia que ele era uma pessoa no palco e outro na vida", comenta Bahia. "Mas, na minha opinião, Chacrinha era um alter ego de Abelardo, uma versão mais exacerbada dele mesmo."

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